quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Brasileiro 2017: Flamengo da Rodada 16 à Rodada 20


Campeonato Brasileiro de Futebol 2017

Rodadas 16 à 20

Desempenho

Péssimo desempenho rubro-negro no intervalo entre a 16ª e a 20ª rodada do Brasileiro 2017. Pior retrospecto, digno de uma campanha de luta contra o rebaixamento.

No gráfico abaixo, a linha verde superior representa o desempenho esperado de uma equipe com campanha para ser campeã, a linha azul representa o desempenho capaz de colocar o clube no G-4, obtendo a classificação para a Libertadores, e a linha rosa é o desempenho suficiente para livrar uma equipe do rebaixamento à Segunda Divisão.



Comparativamente ao desempenho em 2016, quando o Flamengo fez sua melhor campanha em pontos corridos na história, em 2017 a largada foi pior, mas o desempenho tanto entre as rodadas 6 e 10 quanto entre as rodadas 11 e 15 foi melhor. Da rodada 16 à 20, no entanto, um desempenho muito pior do que em 2016. O Flamengo desacelera no momento em que em 2016 acelerou.



Desempenho Histórico

Com 29 pontos em 20 rodadas, o Flamengo tinha sua 4ª melhor colocação na história do Campeonato Brasileiro por pontos corridos. Em 2011 tinha 36 pontos, em 2016 tinha 34 pontos e em 2008 tinha 32 pontos. São as três campanhas melhores que a de 2017.

Tomando o desempenho nos últimos Campeonatos Brasileiros, desde que foi implementado o sistema de pontos corridos, eis a seguir a pontuação rubro-negra em cada edição até esta mesma rodada: 



Jogo a Jogo
16ª Rodada - 22/07 - Flamengo 2 x 1 Coritiba
Local: Estádio Luso-Brasileiro (Ilha do Urubu)
Gols: Berrio (7'1T), Henrique Almeida (50''2T) e Everton Ribeiro (45+1'2T)

O Flamengo ganhou três pontos que não fez por merecer, com uma atuação muito ruim, em casa, contra um adversário em crise, sem técnico e desfalcado de alguns titulares. O técnico Zé Ricardo optou por poupar vários titulares, em função do duelo decisivo contra o Santos, no jogo de volta pelas quartas de final da Copa do Brasil. Não foram a campo: Réver, Márcio Araújo, Cuéllar e Diego. O zagueiro Rhodolfo continuava fora, e a última hora, antes de entrar em campo, Everton, gripado, também foi retirado do jogo. E o Flamengo usava pela primeira vez um terceiro uniforme novo, todo amarelo, e o histórico com uniformes alternativos não era nada bom.

O time começou impondo um bom ritmo, abdicando um pouco da estratégia de manter a posse de bola, pressionando a saída de bola do adversário, e tentando trocas de passe mais rápidas. Foi assim que logo no começo da partida, Geuvânio, que pela primeira vez começava no time titular, acionou Everton Ribeiro pelo lado esquerdo, que enfiou para o meio para encontrar Berrio, que ganhou a posição minutos antes do início do jogo pela gripe de Everton, ele penetrou frente a frente ao goleiro Wilson, deslocando-o e abrindo o placar. O 1º tempo foi todo de superioridade rubro-negra, mas o time não conseguiu ampliar. Na volta do intervalo, porém, antes mesmo do relógio completar o primeiro minuto, falha coletiva: Juan tomou bisonhamente uma bola nas costas, Rafael Vaz, na cobertura a ele, não deu o carrinho, e com um horroroso reflexo, sem qualquer tempo de recuperação, o goleiro Thiago apenas ficou olhando o toque sutil do centroavante alvi-verde. Logo depois, porém, Guerrero ia desempatando, mas o gol foi erradamente anulado pelo trio e arbitragem, com assinalação de impedimento. A partir daí, o time rubro-negro se mostrou muito nervoso e ansioso, passando a errar praticamente tudo. Ainda assim, Juan acertou uma cabeçada no travessão, Rômulo perdeu frente a frente ao goleiro, mas o volume de criação era atabalhoado e desorganizado. Mas, segundos antes do relógio completar 45 do 2º tempo, quando todos pensavam que o cargo de Zé Ricardo estava a ponto de ser fritado, Vinícius Júnior recebeu na ponta, girou, e tomou uma rasteira. Pênalti inquestionável. Aos 46 minutos, Everton Ribeiro, com muita frieza, deslocou o goleiro e a bola entrou devagar e mansa no lado direito do arco. Vitória que caiu dos céus!

O Flamengo chegou a 28 pontos, mantendo-se em 4º lugar. O líder Corinthians, adversário na rodada seguinte, estava com 40 pontos, 12 a frente do rubro-negro na tabela. O 2º colocado mantinha-se sendo o Grêmio, com 32 pontos, seguido pelo Santos, com 30. Atrás do Flamengo e seus 28, em 5º lugar, vinha o Palmeiras, com 26 pontos.

Time titular: Thiago, Pará, Juan, Rafael Vaz e Trauco; Rômulo, Willian Arão, Everton Ribeiro e Geuvânio; Berrio e Guerrero.
Téc: Zé Ricardo
Entraram: Vinícius Júnior no lugar de Berrio, Felipe Vizeu no lugar de Geuvânio e Lucas Paquetá no lugar de Rômulo



17ª Rodada - 30/07 - Flamengo 1 x 1 Corinthians
Local: Arena Corinthians (Itaquerão)
Gols: Jô (21'1T) e Réver (25'2T)

Durante a semana que antecedeu o jogo, o Flamengo quase foi eliminado da Copa do Brasil de forma vexatória, porém, apesar da derrota por 4 x 2, conseguiu sua classificação à semi-final, eliminando o Santos na Vila Belmiro. O time de Zé Ricardo, que atuou com Alex Muralha, Pará, Réver, Rafael Vaz e Trauco; Márcio Araújo, Cuéllar (Willian Arão), Diego e Everton (Gabriel); Berrio (Rodinei) e Guerrero, tinha vencido por 2 x 0 no Rio, fez um gol logo aos 7 minutos e parecia ter tudo encaminhado. Porém, sofreu o empate e ainda antes do intervalo viu o árbitro assinalar um pênalti e, acertadamente, voltar atrás, depois de ser alertado do erro pelo quarto árbitro. Aos 50 segundos do 2º tempo, fez 2 x 1, e daí para frente seria necessário levar mais quatro gols para ser eliminado. Sofreu dois gols em dois minutos, e antes dos 10 já perdia por 3 x 2. Conseguiu segurar até o fim, mas ainda levou um quarto gol aos 48 minutos do 2° tempo. Mal deu tempo de reiniciar a partida, e o jogo terminou e a classificação para enfrentar o Botafogo na semi-final foi assegurada.

Contra o Corinthians, com a estreia de Diego Alves no gol, e o Flamengo voltou a fazer uma grande partida. No 1º tempo, o Corinthians provou porque era o líder co folgas, compacto na defesa, muito bem treinado, não dava brechas para que o Flamengo conseguisse criar chances de gol. A defesa se movimentava organizada e conjuntamente. Os alvi-negros terminaram com 1 x 0 no placar, gol do artilheiro do campeonato, Jô, e teriam sacramentado o resultado não fosse um erro esdrúxulo da arbitragem, que anulou um gol legal de Jô. No intervalo, Zé Ricardo mudou o jogo, tirou Cuéllar e colocou Arão, e com isso subiu a pressão da troca de passes mais para dentro da defesa paulista, funcionou, o time rubro-negro mandou no jogo do 2º tempo. Quando conseguiu furar o ferrolho defensivo corinthiano, Réver, de voleio, empatou. Logo depois, uma excelente troca de passes colocou Diego cara a cara com Cássio, mas ele chutou por cima. Aos 43, quase ocorreu a virada: num cruzamento para a área, o zagueiro alvi-negro tentou cortar e mandou uma paulada no travessão. Aos 45, quase o castigo, mas Diego Alvez fez uma grande defesa, tirando um chute forte e cruzado com um tapinha que Alex Muralha ou Thiago não teriam defendido. Matematicamente, um resultado ruim. Futebolisticamente, uma grande partida.

Com o empate, o Flamengo caiu para o 5º lugar, com 29 pontos. Faltando duas rodadas para o fim do 1º turno, o líder Corinthians tinha 41 pontos. Oito pontos atrás, aparecia o Grêmio, com 33 pontos. Em 3º lugar, o Santos tinha 31 pontos, seguido por Palmeiras e Flamengo com 29, com desvantagem rubro-negra nos critérios de desempate. O 6º colocado era o Sport, com 27 pontos, e o 7º era o Botafogo, com 24 pontos.

Time titular: Diego Alves, Pará, Réver, Juan e Trauco; Márcio Araújo, Cuéllar, Diego e Everton; Everton Ribeiro e Guerrero.
Téc: Zé Ricardo
Entraram: Willian Arão no lugar de Cuéllar, Berrio no lugar de Trauco e Vinícius Júnior no lugar de Diego



18ª Rodada - 02/08 - Flamengo 2 x 3 Santos
Local: Pacaembu, São Paulo
Gols: Bruno Henrique (8'2T), Everton Ribeiro (11'2T), Felipe Vizeu (21'2T), Alison (40'2T) e Ricardo Oliveira (43'2T)

A incapacidade dos times de Zé Ricardo de decidir e vencer os jogos-chave, que efetivamente valem a disputa do título, marca registrada no Brasileiro 2016 e repetida no Brasileiro 2017, ficou uma vez mais explícita no duelo contra os santistas. Em meio à ainda constante pressão da mídia esportiva e dos torcedores nas redes sociais, que pediam a cabeça do treinador, o time (horrorosamente amarelo neste jogo) teve tudo para ganhar o jogo, e o teria feito não fosse um erro bisonho do árbitro que decidiu o resultado final (naturalmente pouquíssimo alardeado pela imprensa, que sempre faz muito barulho com erros a favor do Flamengo).

O time rubro-negro teve tudo para começar a decidir a partida a seu favor logo no 1º tempo. O jogo era extremamente franco e aberto, com as duas equipes impondo um ritmo forte de ir e vir ao campo de ataque de adversário. Desenhava-se uma partida com muitos gols. Porém, o 1º tempo terminou num empate sem gols. Só porque Guerrero, Juan e Felipe Vizeu, que entrou no lugar do lesionado centroavante peruano, perderam três oportunidades de gol incríveis! No 2º tempo, pagou-se o preço pelo desperdício: a defesa abriu um buraco no meio, e uma reposição de tiro de meta de Diego Alves terminou em gol santista. Reação rápida, e logo depois, num chute de fora da área, Éverton Ribeiro empatou. Melhor, o Flamengo virou, com Felipe Vizeu. A vitória parecia encaminhada, mas o jogo mudou depois que Rodinei foi expulso, aos 28 minutos, por levar um segundo cartão amarelo. A pressão do alvi-negro praiano aumentou, e aos 40 minutos, num chutaço de longe, o Santos empatou. Um minuto depois, no entanto, num bate-rebate na área, a bola bateu em Réver e entrou. A poucos minutos do fim, o Flamengo teria uma 3 x 2 a seu favor, mas o árbitro anulou bisonhamente ao gol, alegando que a bola havia batido no braço, que estava colado ao corpo. Logo depois disto, quem pôs 3 x 2 a seu favor no placar foi o Santos. E assim terminou um 2º tempo repleto de emoções.

Depois de uma sequência de 4 vitórias consecutivas (com mais duas vitórias no meio, uma pela Copa do Brasil e outra pela Copa Sul-Americana), o Flamengo, numa sequência de 6 jogos pelo Brasileiro, venceu apenas 1 (com mais uma derrota no meio, esta pela Copa do Brasil). Ao fim da 18ª rodada, o Flamengo mantinha-se com 29 pontos e como 5º colocado. O líder Corinthians não parava de vencer, chegando a 44 pontos, com 13 vitórias e 5 empates. Os 15 pontos de vantagem do Flamengo pareciam ser impossíveis de serem revertidos. Em 2º lugar, o Grêmio tinha 36, seguido por Santos com 34 e Palmeiras com 32. Se houvesse vencido, o time rubro-negro terminava a rodada em 3º. Em 6º lugar, aparecia o Sport, com 28, seguido pelo Cruzeiro, com 26.

Time titular: Diego Alves, Rodinei, Réver, Juan e Renê; Márcio Araújo, Willian Arão, Diego e Everton; Everton Ribeiro e Guerrero.
Téc: Zé Ricardo
Entraram: Felipe Vizeu no lugar de Guerrero, Pará no lugar de Diego, e Berrio no lugar de Renê.





19ª Rodada - 06/08 - Flamengo 0 x 2 Vitória
Local: Estádio Luso-Brasileiro (Ilha do Urubu)
Gols: Yago (40'1T) e Neilton (pen, 20'2T)

Partida às 11 horas da manhã de domingo. Zé Ricardo, com o cargo seriamente a perigo, com pressões por sua demissão de todos os lados, vai para o tudo ou nada. Decido escalar o time com apenas um cabeça de área, e, além do mais, um cujas características eram mais de saída de bola do que de marcação (Willian Arão). Tônica do jogo: quando o Flamengo tinha a bola, pressão total, quando o Vitória roubava a bola, defesa exposta e risco iminente de sofrer o gol. Era questão de quem faria o primeiro gol, que seria aquele que fatalmente venceria o jogo.

Sem Guerrero, com contratura muscular, o time teve os retornos de Trauco, Rhodolfo e Geuvâvio. Todos os reforços juntos em campo. No 1º tempo, Felipe Vizeu perdeu um gol incrível na pequena área, não conseguindo tocar numa bola que estava a centímetros dele. Depois, Diego cobrou uma falta magistralmente e a bola caprichosamente atravessou a frente do goleiro e triscou a trave no canto oposto, sem que o arqueiro esboçasse qualquer reação. No finzinho do 1º tempo, Willian Arão rebateu uma bola errada dentro da área e ajeitou para o chute cruzado do meia do rubro-negro baiano, que pegou um chute cruzado na veia, sem chances para Diego Alves. Na volta do intervalo, nervoso e atabalhoado, o time rubro-negro carioca não conseguiu fazer mais nada, bagunçado, perdeu-se em campo, e não conseguiu esboçar reação. Para piorar, num toque de Réver no calcanhar de um jogador adversário, o árbitro marcou pênalti. O goleiro do Flamengo, famoso na Europa por pegar muitos pênaltis, não conseguiu reagir à cobrança com paradinha de Neilton. Daí para frente, desespero e desordem tática ainda maiores.

O problema maior de não conseguir vencer os confrontos diretos da parte de cima da tabela, é que não se cria gordura para tropeços como este, uma derrota em casa para uma equipe que figurava na Zona de Rebaixamento. O cargo de Zé Ricardo não resistiu. Na noite do mesmo dia, o técnico foi demitido, com o cargo passando a estar vago. O Flamengo se mantinha em 5º lugar, com 29 pontos, ao fim da rodada, a última do 1º turno. O líder Corinthians, com 47 pontos, foi o primeiro clube a terminar um turno invicto na história do Brasileiro por pontos corridos (desde 2003). Com 14 vitórias e 5 empates, já tinha 18 pontos de vantagem para o Flamengo. A luta pelo título parecia de fato perdida. O Grêmio, em 2º, tinha 39 pontos, o Santos tinha 35 e o Palmeiras, único clube a ter investido mais do que em reforços do que o Flamengo na temporada, era o 4º com 32. O Sport vinha em 6º com 28, seguido por Cruzeiro, com 27, e Atlético Paranaense, com 26.

Time titular: Diego Alves, Pará, Réver, Rhodolfo e Trauco; Willian Arão, Diego e Everton; Everton Ribeiro, Felipe Vizeu e Geuvânio.
Téc: Zé Ricardo
Entraram: Berrio no lugar de Geuvânio, Vinícius Júnior no lugar de Everton, e Lucas Paquetá no lugar de Willian Arão.



20ª rodada - 13/08 - Flamengo 0 x 2 Atlético Mineiro
Local: Estádio Independência, Belo Horizonte
Gols: Fábio Santos (pen, 15'1T) e Rafael Moura (8'2T)

O técnico Zé Ricardo não resistiu à derrota na última rodada do 1º turno, acabando demitido. A primeira opção da diretoria rubro-negra foi o ex-Atlético Mineiro e Grêmio Roger Machado, que não aceitou o desafio. A meta então passou a ser o colombiano Reinaldo Rueda, treinador campeão da Libertadores 2016 e vice-campeão da Copa Sul-Americana 2016 com o Atlético Nacional de Medellin. Enquanto estava sem treinador o time foi interinamente comandado por Jayme de Almeida. Durante a semana, sem poupar titulares, mesmo após vencer o jogo de ida, em Santiago, por 5 x 2, o time tinha pela frente o Palestino, do Chile. Alex Muralha; Pará, Rodholfo, Juan e Renê; Márcio Araújo, Willian Arão, Éverton Ribeiro (Lucas Paquetá) e Everton (Vinícius Junior); Geuvânio (Berrio) e Felipe Vizeu. Vitória fácil por 5 x 0 diante de um adversário super frágil e classificação às oitavas de final garantida.

No fim de semana, na capital mineira, pela 20ª rodada, sem poder contar com Diego, Everton e Guerrero, o time do Flamengo teve sua pior atuação em 2017, completamente desorganizado e desorientado. Começou o jogo dentro do esperado, mas o lateral peruano Miguel Trauco cometeu um pênalti infantile tosco, puxando Luan pela camisa, o pegador de pênalti Diego Alves foi para um lado e a bola para o outro, Galo na frente, e o Flamengo não viu mais a cor da bola o resto do jogo. A situação piorou quando Trauco tomou o segundo amarelo e foi expulso, aos 6 minutos do 2º tempo. Dois minutos depois o Atlético ampliou. Fim da linha para o apático time rubro-negro.

Ao fim da rodada, estático em 29 pontos, o Flamengo caiu para a 7ª clocação. A luta por título estava definitivamente enterrada. Pela frente, três dias depois, o início de disputa da semi-final da Copa do Brasil contra o Botafogo. O novo técnico já chegava pressionado por precisar mostrar resultado para não jogar o desempenho do ano por completo na lixeira. Só restava vencer, vencer, e vencer.

Time titular: Diego Alves, Pará, Réver, Rhodolfo e Trauco; Márcio Araújo, Willian Arão e Everton Ribeiro; Berrio, Felipe Vizeu e Geuvânio
Téc: Jayme de Almeida
Entraram: Renê no lugar de Geuvânio, Vinícius Júnior no lugar de Felipe Vizeu, e Cuéllar no lugar de Berrio