domingo, 8 de abril de 2012

Tri-Campeão Carioca 1942-43-44

100 Anos de Futebol do Flamengo: Grandes Conquistas

"A rivalidade entre Flamengo e Fluminense teve aí seu auge. Durante seis anos só um dos dois levou a taça de campeão carioca: o Fla foi campeão em 1939, o Flu foi bicampeão em 1940/41 e o Fla foi tricampeão em 1942/43/44.

E, no primeiro turno, o time rubro-negro goleou os campeões de 1941. No returno, chegou à última rodada para jogar um Fla-Flu, a ser disputado no estádio da Gávea. O tricolor das Laranjeiras tinha a vantagem do empate. O jogo terminou 2 a 2 e entrou para a história porque no segundo tempo os jogadores do Fluminense passaram a isolar a bola sobre o muro do estádio, para dentro da lagoa Rodrigo de Freitas, que àquela época chegava até bem perto do campo. Perdia-se muito tempo para que os remadores do Flamengo saíssem a remo para trazer a bola de volta. A partida ia assim esfriando, terminou empatada, e os tricolores conquistaram o bicampeonato. Esse jogo ficou eternizado como o Fla-Flu da Lagoa.

O Fla-Flu emergiu então, definitivamente, como o grande clássico da cidade naqueles tempos. Rivalidade que levou o tricolor Nélson Rodrigues, numa de suas crônicas esportivas, a afirmar que o primeiro Fla-Flu aconteceu quarenta minutos antes do nada. Antes mesmo de decidir que criaria o mundo, Deus já houvera decidido que haveria o Fla-Flu em seja lá o que Ele estivesse por criar.

No Campeonato Carioca de 1942, o Flamengo se vingou do Fla-Flu da Lagoa, que dera o título de 1941 para o Fluminense dentro da Gávea. Desta vez, jogando nas Laranjeiras, bastava um empate para o Flamengo ser campeão. A diferença é que uma vitória do Fluminense não lhe daria o título, mas sim ao Botafogo. E o empate saiu graças a um gol de Pirilo. Mengo campeão! Começava ali a saga do primeiro tri". (A NAÇÃO, pg. 59)

A equipe campeã de 1942 tinha: Jurandir, Nilton Canegal e Domingos da Guia; Biguá, Volante e Jaime de Almeida; Valido, Zizinho, Perácio, Pirilo e Vevé.


"O time campeão de 1943 era formado por: Jurandir, Nilton Canegal e Domingos da Guia; Biguá, Modesto Bria e Jaime de Almeida; Jacy (Nilo), Zizinho, Perácio, Pirilo e Vevé.


Após o bicampeonato de 1943, o Flamengo perdeu mais uma de suas maiores estrelas: Domingos da Guia trocou o Flamengo pelo Corinthians. O time se desfigurou: a solidez de sua defesa parecia haver se perdido com sua saída. No início do ano, o Fla foi goleado por Botafogo (6 a 2) e Vasco (5 a 2) e fez péssima campanha durante todo o primeiro semestre no Torneio Relâmpago e no Torneio Municipal. A equipe não parecia estar cotada para faturar o tri. Os dirigentes buscaram então a velha fórmula portenha e contrataram três argentinos: o zagueiro Coletta e os atacantes Sanz e De Teran. Nenhum deles fez grande sucesso, mesmo assim no segundo semestre o Flamengo se reergueu. Começou o Carioca com uma campanha instável, mas engrenou no segundo turno, vencendo, consecutivamente, suas sete últimas partidas. As duas rodadas que antecederam à partida decisiva lembraram a campanha de 1943. No ano anterior, o Flamengo aplicou três goleadas nas três rodadas finais: 5 a 1 no Bonsucesso, 6 a 2 no Vasco e 5 a 0 no Bangu. Em 1944, o Flamengo aplicou 7 a 1 no Bangu e 6 a 1 no Fluminense e assim foi enfrentar o Vasco na última rodada.

Curiosamente, para o Fla-Flu, os dirigentes trouxeram Valido de volta da aposentadoria (ele já abandonara os gramados havia mais de um ano). Ele jogou apenas os dois últimos jogos do campeonato. E foi dele, do argentino Valido, o polêmico gol que sacramentou a vitória por 1 a 0 sobre o Vasco. Polêmico porque ele supostamente fez falta no beque vascaíno na disputa, no ar, em que cabeceou para as redes. Estava assim garantido o tricampeonato rubro-negro. O time do Flamengo nesse campeonato era formado por: Jurandir, Nilton Canegal e Quirino; Biguá, Modesto Bria e Jaime de Almeida; Jacy (Valido), Zizinho, Tião, Pirilo e Vevé". (A NAÇÃO, pgs. 61-62)

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